o que você pode aprender com o Nobel da Paz? – UOL

o que você pode aprender com o Nobel da Paz? – UOL

Todos os anos, o Prêmio Nobel reconhece pessoas que se destacaram mundialmente em seis categorias: física, química, medicina, literatura, paz e economia. O Nobel da Paz, porém, é a honraria mais importante para líderes mundiais.

Entender a relação de vencedores dessa categoria com questões históricas e da atualidade é uma boa forma de se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. Afinal, onde existe a luta pela paz, existe uma história de conflito, por exemplo.

Antes de mais nada, é preciso entender o Prêmio Nobel da Paz. Ele é entregue desde 1901 a homens, mulheres e organizações que trabalharam para o progresso da humanidade. Quem decide os ganhadores é uma comissão com membros da Suécia e da Noruega.

Foi o inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896) quem criou o prêmio. Nobel era um rico industrial e químico que se destacou por descobrir a dinamite. Contrariado com o uso bélico da invenção, ele mudou seu testamento e definiu que parte de sua fortuna seria usada para premiar pessoas que prestaram grandes serviços à humanidade.

A partir de temas de história, geografia e atualidades pertinentes ao Enem, o UOL selecionou algumas histórias de vencedores do Prêmio Nobel da Paz. Veja a seguir:

Nadia Murad e Denis Mukwege foram laureados pela luta contra a violência sexual como arma de guerra

Imagem: Frederick Florin/AFP

2018: Nadia Murad e Denis Mukwege

A jovem iraquiana Nadia Murad e o ginecologista congolês Denis Mukwege ganharam o Nobel da Paz por seus esforços contra o uso da violência sexual como arma de guerra.

Nadia Murad é yazidi, minoria religiosa do Iraque. Em 2014, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) proclamou a criação de um califado e desde então disseminou violência por diferentes cidades do Iraque e da Síria. O EI chegou a dominar grandes e importantes cidades iraquianas e provocou uma crise de refugiados no Oriente Médio.

A iraquiana foi sequestrada, estuprada e se tornou escrava sexual. Depois de conseguir escapar dos terroristas, Nadia se refugiou na Alemanha e se tornou uma das maiores vozes representantes de mulheres que sobreviveram ao cárcere sexual em conflitos.

Atualmente ainda existem meninas e mulheres yazidis que continuam desaparecidas e que provavelmente permanecem em cativeiro.

Denis Mukwege é um médico que ficou conhecido por recuperar mulheres vítimas de estupro durante a guerra civil na República Democrática do Congo. Localizado na África Central, o país sofre com conflitos há mais de uma década. Em 2017, mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas e se tornaram refugiadas. É um dos países mais afetados pelo chamado deslocamento em decorrência de conflitos.

Malala tornou-se símbolo da defesa de educação de meninas

Imagem: Eduardo Anizelli/ Folhapress

2017: Malala Yousafzai

Em 2012, membros do grupo terrorista Talibã atacaram a tiros um ônibus que levava meninas para casa depois de um dia letivo. O alvo era uma das estudantes, Malala Yousafzai, que então tinha 15 anos e defendia publicamente o direito à educação para as meninas.

Dona de um blog no qual publicava seus pensamentos, Malala foi perseguida por ser considerada uma ameaça ao Islã. O regime Talibã adota de forma radical o Sharia (código de leis do islamismo) e as meninas são proibidas de estudar em escolas, universidades ou qualquer outra instituição educacional.

Depois de ser baleada na cabeça pelo Talibã, Malala foi para o Reino Unido e se tornou uma personalidade internacional em defesa do direito à educação para as meninas. Seu trabalho humanitário a levou a diversas partes do mundo onde esse direito é ameaçado. A paquistanesa é a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

2017: Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares

Existem quase 15 mil armas nucleares no mundo, arsenal mais do que suficiente para destruir o planeta. A Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ou Ican na sigla em inglês) é uma organização que trabalha para a eliminação radical do armamento nuclear no planeta, chamando a atenção para as consequências desastrosas para a humanidade e para o meio ambiente do uso das mesmas.

A escolha da Ican como vencedora surgiu num contexto internacional em que a Coreia do Norte realizou ensaios nucleares e disparos de mísseis balísticos.

A organização também redigiu um Tratado de Proibição de Armas Nucleares e faz esforços para obter a adesão dos Estados para sua ratificação. Em julho de 2017, foi firmado na sede da ONU o primeiro acordo internacional legalmente vinculante a proibir as armas nucleares. Ele ainda não está em vigor, pois depende da ratificação de pelo menos mais 55 Estados. O Brasil foi o primeiro país a assinar o tratado, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

A Ican também acompanha de perto o acordo nuclear do Irã. O pacto de 2015, assinado pelo Irã, Estados Unidos, Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia, além da União Europeia (UE), estabeleceu limites ao programa nuclear iraniano, em troca de alívios econômicos ao país. Com a saída dos EUA do acordo no ano passado, contudo, essas sanções foram reimpostas ao Irã, que também passou a reduzir seus compromissos.

Juan Manuel dos Santos: ex-presidente firmou um acordo de paz entre o governo e as FARC

Imagem: Xinhua/Jhon Paz

2016: Juan Manuel Santos

O presidente da Colômbia recebeu o Nobel da Paz pelos esforços de pacificação em seu país, mergulhado num conflito armado que já dura mais de 50 anos e que causou 260 mil mortos.

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) já foram a maior guerrilha das Américas. Em agosto de 2016, Santos firmou um histórico acordo de paz entre o governo do país e as Farc. A guerrilha concordou em entregar as armas, se tornou um partido político homônimo (tendo participado das últimas eleições) e ex-combatentes estão no processo de voltar para a vida civil.

No entanto, o processo de pacificação da Colômbia é longo e conturbado. Alguns antigos guerrilheiros afirmaram que vão voltar à luta armada. A violência também aumentou no interior do país, com a atuação de milícias em áreas antes ocupadas pela guerrilha, onde o governo falhou em estabelecer o controle territorial.

2012: União Europeia

Pode um bloco econômico contribuir para um mundo melhor? Em 2012, a União Europeia ganhou o Prêmio Nobel pela sua contribuição para o avanço da paz e da democracia na Europa. Para o comitê do prêmio, a UE foi fundamental para a transformação da Europa num continente de guerra para um continente pacífico.

A União Europeia hoje enfrenta críticas de movimentos nacionalistas e “antieuropeus”

Imagem: Canaltech

A União Europeia foi criada oficialmente em 1992 e se tornou o maior bloco econômico do mundo, com 28 países da Europa. Suas origens remontam à Comunidade Econômica Europeia (CEE), criada em 1957, após a Segunda Guerra Mundial. A CEE tinha dois propósitos fundamentais: integrar a política e a economia da Europa e impedir, por meio dessa integração, o aparecimento de rivalidades semelhantes àquelas que deram origem à Primeira e à Segunda Guerras Mundiais.

O bloco representa hoje um processo bastante avançado de integração econômica, garantindo a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais. Além disso, diversos membros adotaram uma moeda comum, o euro, e uma plataforma política e de valores democráticos, com o funcionamento de um Parlamento Europeu que possui responsabilidades legislativas.

Atualmente a UE está em meio a uma crise e enfrenta críticas de movimentos nacionalistas e “antieuropeus”. Um dos maiores focos de tensão é crise migratória na Europa, a maior desde a Segunda Guerra Mundial. A elevada entrada de migrantes e refugiados na região pressiona a UE a dar respostas sobre sua política migratória e de proteção de fronteiras.

O bloco adota o princípio da livre circulação entre os Estados-Membros e caso os países decidam por novas medidas de contenção de migrantes, o espaço de livre circulação europeu pode estar em risco.

Outro problema é o fenômeno do Brexit. Em 2016, um referendo do Reino Unido votou pela saída da União Europeia. A decisão histórica foi chamada de Brexit. O temor é que essa decisão possa abalar o futuro do bloco e estimular outros países a fazerem o mesmo.

Um dos políticos mais importantes da campanha pró-Brexit foi Boris Johnson. Membro do Partido Conservador inglês e ex-prefeito de Londres, Johnson foi eleito primeiro-ministro do Reino Unido em 2019.

2007: Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas

Fundado em 1988, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) é uma entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chancela da ONU. Os cientistas reúnem pesquisas que demonstram as descobertas e os efeitos do aquecimento global no planeta.

O trabalho do grupo dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o vice-presidente americano Al Gore e foi laureado por seus esforços para aumentar e disseminar conhecimentos a respeito da mudança climática gerada pelo homem.

Os estudos do IPCC servem de base para a definição de políticas públicas de meio ambiente. Desde que Donald Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos (EUA), o IPCC sofre ataques que colocam em xeque sua credibilidade.

O presidente norte-americano já acusou o grupo de mentir sobre o aquecimento global. Em 2017, Trump anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris, tratado que define metas globais de redução de emissões de dióxido de carbono.

1993: Nelson Mandela

O líder da África do Sul foi reconhecido pela atuação pelo fim pacífico do regime do Apartheid e por abrir caminho para uma África do Sul nova e democrática. Mandela (1918-2013) foi líder do movimento contra o Apartheid, o nome dado ao regime segregacionista que vigorou no país a partir da segunda metade do século 20. O sistema negava à população negra direitos sociais, econômicos e políticos.

Mandela liderou uma campanha de desobediência civil e ajudou a consolidar a resistência ao regime como um movimento de massas. Protestos e manifestações, muitas vezes pacíficas, despontavam no país inteiro e eram duramente reprimidos. Mandela ficou preso durante 27 anos, entre 1964 e 1990. Em 1994, assumiu a Presidência da África do Sul e colocou fim aos quase 50 anos de Apartheid.

Aung San Suu Kyi continua popular em Mianmar

Imagem: //

1991: Aung San Suu Kyi

Em 1988, a exilada política Aung San Suu Kyi retornou a Mianmar, antiga Birmânia, para liderar o movimento pela volta da democracia. O país vivia sob ditadura militar e Suu Kyi foi presa. Ela passou quase 15 anos sob prisão domiciliar, sem poder deixar o país nem receber a família. A estratégia de resistir de maneira pacífica e sua atuação política lhe rendeu um Nobel da Paz.

Em 2012, foi eleita para uma vaga no Parlamento em eleições históricas. Atualmente é Conselheira de Estado de Mianmar, posto da alta administração pública. Apesar do Nobel da Paz, a política é criticada pela comunidade internacional por negar a existência de um genocídio contra uma minoria muçulmana no país.

A etnia rohingya é uma minoria étnica e religiosa de Mianmar, sendo considerada uma das mais perseguidas do mundo. Embora vivam no país há séculos, o governo se recusa a reconhecê-los como cidadãos e negou-lhes status legal. Em 2017, após uma ofensiva do Exército em represália aos ataques de rebeldes ligados à minoria, as comunidades rohingyas foram brutalmente atacadas.

Em 2018, a ONU divulgou um relatório que responsabilizou o estado de Mianmar como responsável por genocídio e outros crimes internacionais contra civis rohingyas. Segundo a ONU, ataques em massa de militares já deixaram inúmeros mortos, além de 700 mil refugiados, a maioria vivendo em Bangladesh.

1964: Martin Luther King

Martin Luther King (1929-1968) foi laureado com o Nobel em 1964 por sua defesa dos direitos civis e sua liderança na resistência pacífica pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos. Com apenas 35 anos de idade, foi a pessoa mais jovem a receber o prêmio.

Em 1963, King proferiu o famoso discurso “I Have a Dream” (eu tenho um sonho), para mais de 250 mil pessoas, em Washington. Pouco tempo depois, em 1968, o ativista foi assassinado e entrou para a história como um símbolo da luta contra o racismo nos Estados Unidos, problema que ainda persiste no país.

Fonte Oficial: UOL.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Notícias do Enem.

Comentários

Você talvez goste também de

Inscrições abertas para o Vestibular 2020 da FDSBC – UOL

Crédito da foto: Divulgação/FDSBC A Faculdade de Direito